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10 Perrengues de Viagem que Mudaram Minha Forma de Viajar

  • há 1 dia
  • 13 min de leitura

Ilustração de um carro conversível branco lotado de malas em uma estrada costeira, representando perrengues de viagem.
Um verdadeiro perrengue chic: carro conversível, estrada linda e malas que simplesmente não cabem.

Já fui parar em um hotel de alta rotatividade em Nápoles, fiquei presa numa rotatória na Irlanda, insisti em subir a Table Mountain com o tempo dizendo claramente “não” e passei cinco horas num ferry vendo ondas enormes se formarem bem na minha frente.


Alguns desses episódios renderam ataques de riso. Outros, momentos de tensão real. Mas todos viraram histórias para contar.


Cada um desses perrengues me ensinou algo que eu nunca aprendi em um guia de viagem ou em um blog de dicas. Hoje viajo de um jeito bem diferente por causa deles.


Aprendi a pesquisar hotel de verdade (e não só olhar a nota do Booking), a desconfiar um pouco dos “imperdíveis”, a respeitar o clima, a valorizar meu próprio ritmo e, principalmente, a manter a calma quando o plano sai completamente do controle.


Aqui vão 10 histórias reais e o que cada uma mudou na minha forma de viajar.


1. O hotel de Nápoles que o Booking adorava


Ainda estávamos na estrada quando o Waze anunciou: “Faltam 4 minutos”. Só que Nápoles não aparecia.


Em volta, só galpões, depósitos e uma região que definitivamente não parecia o lugar onde duas turistas escolheriam passar a noite.

Mas o Waze insistia.

E estava certo.


O hotel, super bem avaliado no Booking, ficava ali mesmo, fora de tudo.


Enquanto minha amiga estacionava, fui fazer o check-in. O recepcionista olhou para mim e perguntou, sem nenhum constrangimento:

— Vamos esperar seu marido?

Que marido? Só (!) eu e uma amiga!


Subimos para o quarto e a decoração confirmou o que eu já começava a desconfiar: uma banheira gigante praticamente colada numa cama redonda.

Hotel de alta rotatividade.

Daqueles mesmo.


Nápoles estava lotada e trocar de hotel naquela altura não era uma opção. Então deixamos as malas, pegamos o metrô para o centro, jantamos, fizemos compras e voltamos carregadas de sacolas.


No caminho entre a estação e o hotel, passamos por algumas garotas de programa. Elas olharam para nossas compras e soltaram, muito simpáticas:

— A noite de vocês já rendeu bem, hein?


Aí não teve jeito. Começamos a rir. Foi constrangedor, engraçado e revelador ao mesmo tempo.


O que aprendi

Nunca mais escolhi hotel olhando apenas a nota da plataforma de reservas.

Hoje cruzo as avaliações do Booking com Google e TripAdvisor, confiro a localização no mapa e presto atenção ao entorno, ao acesso e ao que os hóspedes dizem sobre a região.

A nota alta podia até estar certa.


Só não contava a história toda.


2. A pedra “imperdível” que me deu um torcicolo

Viajante deitada de costas no Castelo de Blarney, na Irlanda, sendo ajudada por um funcionário para beijar a famosa Blarney Stone
E tudo isso por um pouco mais de eloquência e persuasão.

O Castelo de Blarney, na Irlanda, tem uma pedra famosa. Segundo a tradição, quem a beija ganha o dom da eloquência e da persuasão.

E quem não quer isso?


Na época, eu não encontrava um blog sobre a Irlanda que não falasse dela com algum adjetivo superlativo. Imperdível. Inesquecível. Obrigatório.


Então desviamos cerca de duas horas e meia do roteiro só para beijar a tal pedra.

Quando chegamos, a fila era quilométrica.

Mas já estávamos lá.


Uma hora depois, finalmente chegou nossa vez. Foi aí que descobrimos o detalhe que os blogs pareciam ter esquecido de contar: não se beija a Blarney Stone de pé, de forma civilizada.


É preciso deitar de costas, inclinar o corpo e jogar a cabeça para trás em um vão, enquanto um funcionário ajuda você a alcançar a pedra.


Olhei para a posição, para o vão logo atrás da minha cabeça e pensei:

“Era isso que todo mundo chamava de imperdível?”


Depois de duas horas e meia de desvio e uma hora de fila, obviamente fomos em frente.


Resultado?

Não saímos mais eloquentes.

Nem mais persuasivas.

Saímos tontas, com o pescoço reclamando e rindo bastante de nós mesmas. E de quem vinha depois.


O que aprendi

Hoje desconfio um pouco quando todo mundo diz que alguma atração é “imperdível”.


Antes de mudar o roteiro por causa dela, procuro entender como a experiência funciona de verdade: quanto tempo leva, quanta fila tem, o que exatamente você vai fazer e se aquilo combina comigo.


Nem sempre os blogs estão errados. Às vezes só esquecem de contar a parte mais importante.


3. A noite em que descobri que viajar sem reserva já não era tão simples


Houve uma época em que eu adorava a ideia de viajar sem compromisso. Pegar a estrada, seguir o roteiro e decidir no caminho onde dormir. Se a cidade fosse boa, ficávamos. Se não, seguíamos em frente.


Na Highway 1, na Califórnia, resolvemos fazer exatamente isso.


Saímos do Hearst Castle no último horário, já cansadas de dirigir, e começamos a procurar hotel.

O primeiro: lotado.

O segundo: lotado.

O terceiro: também.


Foi aí que surgiu a ideia que, naquele momento, pareceu brilhante:

— Vamos fazer como nos filmes americanos e dormir num motel de estrada.

Entramos no primeiro que apareceu.

Má ideia.


O quarto estava tão sujo que dormi de roupa. No meio da noite, um homem começou a socar uma porta e a gritar do lado de fora. Não sabíamos exatamente o que estava acontecendo. Só sabíamos que não queríamos descobrir.


Encostamos as cadeiras na porta e não dormimos mais.


Às cinco da manhã desistimos. Nem tomamos banho. Entramos no carro e seguimos até achar um hotel decente com vaga.


O que aprendi

Houve um tempo em que era bem mais fácil viajar sem saber onde você ia dormir. Eu ainda gosto da espontaneidade de uma road trip, mas hoje prefiro abrir mão de um pouco dela.


Prefiro chegar no fim do dia sabendo que tenho um teto decente esperando por mim.


4. O Mustang conversível que virou um jogo de Tetris com as malas


O conversível que passava metade do tempo com a capota fechada: ou estava frio demais, ou quente demais para baixá-la.
O conversível que passava metade do tempo com a capota fechada: ou estava frio demais, ventava demais, ou quente demais para baixá-la.

Meu sonho era dirigir um carro conversível.


Em uma viagem para Miami rumo a Key West, uma amiga resolveu me surpreender e alugou um Mustang conversível.


Perfeito. Miami, sol, Mustang, capota aberta. Só que, quando chegamos ao aeroporto, fazia uns 15 graus.


O primeiro desafio foi colocar as malas no carro. Ainda estávamos no começo da viagem, com pouca coisa, e mesmo assim levamos quase meia hora tentando descobrir como encaixar tudo.


Finalmente conseguimos. Baixei a capota e lá fomos nós. Dez minutos depois, eu mal conseguia dirigir de tanto que tremia de frio.

Minha amiga, bem solidária, decretou:

— Você não queria um conversível? Agora vai ficar sem capota.

E assim fomos até o hotel.


No dia seguinte, Miami voltou ao normal. Sol, calor e céu azul. Capota aberta de novo.

Ao meio-dia, paradas num farol, descobrimos o outro extremo da experiência: o calor era escaldante e nós suávamos por todos os poros.

Fecha a capota.

Liga o ar-condicionado.


Mas o verdadeiro perrengue ainda estava por vir.


As compras começaram a aumentar. E as malas também. Chegou um momento em que simplesmente não cabia mais nada no carro.


No último dia, tivemos que pedir ajuda ao manobrista do hotel. Ele passou quase uma hora tentando descobrir a combinação perfeita para encaixar tudo no porta-malas, como se estivesse montando um enorme quebra-cabeça.


Conseguiu.

Chegamos ao aeroporto muito satisfeitas.

Até tentarmos tirar as malas.

Elas estavam tão bem encaixadas que não saíam.

A essa altura, entre uma tentativa e outra, só conseguíamos rir.


O que aprendi

Hoje escolho o carro pensando primeiro na viagem real: quantas pessoas, quantas malas, quanto espaço vamos precisar e se pretendemos fazer compras.


Praticidade ganhou alguns pontos sobre glamour.


Dito isso, ainda acho que dirigir um Mustang conversível em Miami foi uma ótima ideia.

Só não foi uma ótima ideia para as nossas malas.


5. O dia em que respondi “sim” à pergunta errada em Israel


Morei durante quatro anos em Israel. Mesmo depois de todo esse tempo, meu hebraico mal dava para pedir um vinho no restaurante.


Como Israel fica perto da Europa e da Grécia, e naquela época havia muitos voos baratos, eu viajava quatro ou cinco vezes por ano.


Na saída do país, o controle de segurança costumava envolver uma série de perguntas. Eu sempre pedia para conversar em inglês. E quase sempre vinha a mesma reação:

— Depois de tanto tempo aqui você ainda não fala hebraico?

Minha resposta era simples:

— É muito difícil. E todo mundo fala inglês.


No quarto ano, porém, achei que já estava ficando esperta.

As perguntas pareciam seguir mais ou menos a mesma ordem. Na minha cabeça, eu nem precisava conversar de verdade. Era só entender a pergunta e responder sim ou não.


O que poderia dar errado?


Começaram em hebraico.

Eu fui respondendo.

Sim.

Não.

Sim.


Até que veio uma pergunta.

Respondi:

— Sim.

O funcionário me olhou.

Parou.

Repetiu a pergunta.

Eu, ainda confiante:

— Sim.


A expressão dele mudou completamente.

Foi aí que percebi que talvez fosse uma boa hora para abandonar minha carreira de fluente em hebraico.

— English, please.

Ele repetiu a pergunta em inglês.

Queria saber se eu estava portando alguma arma.

— NOOOOO!

Fim da experiência linguística.


O que aprendi

Controle de fronteira, imigração e segurança não são lugares para fingir que você entendeu.

Se houver qualquer dúvida, peça para falar em uma língua que você domine.


Não tente ser esperta. Você pode descobrir tarde demais que respondeu “sim” à pergunta errada.


6. A excursão pela Turquia que me fez valorizar meu próprio ritmo


Eu estava em Istambul com duas amigas e queríamos conhecer a Capadócia e Pamukkale.


As distâncias eram grandes e dirigir por tantas horas não nos parecia a melhor ideia. Então pensamos:

— Por que não ir de excursão?

Pesquisamos bastante até encontrar uma que parecia conveniente.


Primeiro dia: ônibus lotado de estrangeiros de todas as nacionalidades e umas oito horas de estrada pela frente.


Nas primeiras duas horas foi divertido. Todo mundo conversava, se conhecia, trocava histórias. Depois de quatro horas, aquelas mesmas conversas já começavam a incomodar um pouco. Quando finalmente chegamos, foi um alívio.


Nos dias seguintes entendemos a rotina:


Acordar às cinco da manhã. E ainda teve o passeio de balão na Capadócia, com saída às quatro da manhã, que acabou cancelado por causa do tempo.

Sempre alguém atrasado para entrar no ônibus.

Horas e horas de estrada.

Poucas paradas.

Hotéis razoáveis.

E as refeições.


Éramos três. Uma vegana. Outra com restrições a glúten e lactose.

E, em vários lugares onde parávamos, a reação era quase:

— Gluten-free? No lactose? What do you mean?


As melhores fotos da viagem talvez sejam justamente nossas caras diante dos bandejões, tentando entender o que cada uma conseguiria comer.

O lado positivo? Emagrecemos alguns quilos.


No ônibus, as conversas animadas dos primeiros dias foram sendo substituídas por roncos.


A Turquia é linda e a viagem valeu muito a pena.

Mas aquela excursão me ensinou uma coisa importante.


O que aprendi

Excursão pode ser a melhor solução quando segurança, distância ou logística tornam a viagem independente pouco prática.


Mas, quando tenho uma boa alternativa de carro ou trem, prefiro ir por conta própria.


Meu horário. Minhas paradas. Meu hotel. Meu restaurante. Meu ritmo.


Depois daquela viagem, passei a valorizar ainda mais a liberdade de decidir como quero passar o meu dia.


7. Nunca faça braço de ferro com o tempo. Você perde

Vista da Table Mountain, em Cape Town, encoberta por uma neblina densa durante a subida de teleférico.
Subi até a Table Mountain contra todos os sinais do tempo. A recompensa foi esta vista: praticamente nenhuma.

Eu estava em Cape Town e tinha deixado a Table Mountain para o último dia.


Naquela manhã, acordei com chuva. Como o passeio dependia completamente do clima, não tínhamos reservado antes. Saí cedo mesmo assim, torcendo para o tempo melhorar.

Eu e, aparentemente, todos os turistas de Cape Town.


A fila para o cable car era enorme. Enquanto esperava, continuava olhando para o céu e me convencendo de que a neblina ia abrir a qualquer momento.


Ali embaixo, perto da bilheteria, a vista já era linda e o céu parecia bem mais aberto. Na minha cabeça, lá em cima também estaria tudo bem.


Quando finalmente cheguei à atendente, ela foi bem simpática e avisou:

— Está com muita neblina lá em cima. Pode continuar assim. Tem certeza de que quer subir?

Era meu último dia.

Eu tinha certeza.


Entrei no cable car lotado. E vale dizer que eu nunca fui exatamente fã de teleféricos.

Depois de mais ou menos um minuto de subida, ele simplesmente parou. O vento estava forte, o carro balançava e a montanha parecia perto demais para o meu gosto.


Até aquele momento havia conversa e barulho por todos os lados. De repente, silêncio.

A funcionária responsável disse, bem calmamente:

— Hopefully it will only take five minutes.


Eu comecei a suar frio.

Foram cinco minutos. Depois o cable car voltou a subir e finalmente chegamos ao topo.


A atendente estava certa.

Não se via absolutamente nada.

Nem para baixo.

Nem praticamente para frente.


O que aprendi


Nunca faça braço de ferro com o tempo. Você perde.


Quando uma atração depende completamente das condições climáticas, tento deixar alguma flexibilidade no roteiro e não guardá-la para o último dia.


E, principalmente, aprendi que quando o tempo está dizendo claramente “não”, talvez seja melhor não ser teimosa.


8. A rotatória da Irlanda da qual quase nunca saímos


Minha primeira experiência dirigindo na mão inglesa foi na Irlanda. E, para complicar, o carro era manual.


Nós estávamos acostumadas com automático. Então já saímos do aeroporto aos trancos.

Pouco depois, entramos na primeira rotatória.


O Waze mandava seguir em uma direção, meu cérebro insistia em outra, e os carros pareciam surgir de todos os lados.

— Direita?

— Esquerda?

— De onde saiu esse carro?

— Cuidado!

E o pior: não conseguíamos sair da rotatória.


Quanto mais nervosas ficávamos, mais ríamos. Quanto mais ríamos, menos conseguíamos dirigir. Cada troca de marcha vinha acompanhada de mais um tranco.


Uma volta.

Duas.

Três.

Acho que demos umas oito.

Até que, finalmente, conseguimos pegar a saída certa.

Entramos na estrada.


E, para nossa surpresa, depois dos primeiros quilômetros tudo começou a ficar bem mais tranquilo.


O que aprendi

Na primeira vez dirigindo na mão inglesa, já tem coisa demais para o cérebro processar.


Se puder, escolha carro automático.


Depois é respirar, manter a calma e lembrar de ficar à esquerda.

No começo parece impossível.

Alguns quilômetros depois, o cérebro se adapta.


9. A abordagem policial na África do Sul que me ensinou a levar a PID


Alugamos um carro em Cape Town para fazer a Garden Route.


A princípio, para alugar um carro na África do Sul, uma carteira de motorista estrangeira válida pode ser aceita, dependendo das regras da locadora. No nosso caso, alugamos normalmente apresentando minha CNH brasileira. Ninguém pediu carteira internacional.


Mesmo assim, eu tinha levado a Permissão Internacional para Dirigir, a PID.

Ainda bem.


Em cinco dias de estrada, fomos paradas pela polícia duas vezes.


Na primeira, o policial foi super simpático. Perguntou de onde eu era e, quando respondi Brasil, começou a falar que adorava futebol. Depois nos deixou seguir.


A segunda abordagem foi bem diferente.


O policial pediu meus documentos. Minha habilitação ficava dentro da carteira, junto com dinheiro e outras coisas. Quando abri para pegar o documento, ele imediatamente falou:

— No, no, no.

Expliquei que estava apenas pegando minha carteira de motorista e entreguei a CNH brasileira.

Ele olhou e disse:

— Isso não serve. Como você acha que eu vou entender o que está escrito aqui?


Foi aí que lembrei da PID.

Só que ela estava na minha mala de mão, dentro do porta-malas.


Avisei que iria buscar. Quando abri a mala, uma policial começou a se aproximar e parecia querer olhar o conteúdo. Fechei a mala com calma, expliquei que estava apenas pegando o documento e entreguei a PID.


O primeiro policial olhou e disse que aquilo também não servia. Respirei fundo e expliquei que era a Permissão Internacional para Dirigir válida no mundo todo.

Ele continuou discutindo.


Então um terceiro policial se aproximou, pegou a PID, conferiu e disse que estava tudo certo.

Só então pudemos seguir viagem.


O que aprendi

Mesmo quando a locadora não pede, depois daquela experiência passei a levar a PID sempre que dirijo fora do Brasil. Ocupa praticamente nenhum espaço e, naquele dia, fez toda a diferença.


Também passei a deixar habilitação e outros documentos de viagem separados do dinheiro, para conseguir apresentá-los sem precisar abrir a carteira inteira numa abordagem.


E aprendi outra coisa naquela estrada: quando a situação fica tensa, manter a calma ajuda muito mais do que entrar numa discussão.


10. A travessia para Paros em que eu escolhi o pior lugar para sentar


Peguei um ferry de Atenas para Paros e sentei bem na frente, diante de uma grande janela de vidro voltada para o mar.

Parecia uma ótima ideia.


Até começar o vento. E as ondas.

Da minha cadeira, eu conseguia ver as ondas enormes se formando ao longe e vindo na nossa direção.


Eu já começava a ficar nervosa antes mesmo de elas chegarem.

Então batiam contra o ferry e tudo tremia.

O mar foi ficando cada vez mais agitado.

As garrafas do bar começaram a cair no chão.

As pessoas que estavam sentadas na frente foram, pouco a pouco, abandonando seus lugares.


E eu continuei ali, assistindo a cada onda se aproximar.


A viagem, que deveria durar umas três horas, levou quase cinco. Quando finalmente desembarquei em Paros, só conseguia pensar em uma coisa: terra firme e um drink para comemorar a vida.


O que aprendi

Nunca mais tratei uma travessia de ferry como se fosse apenas um deslocamento qualquer.

Hoje presto mais atenção às condições de vento e mar antes de embarcar.


E aprendi uma regra bem específica:

se você fica nervosa com mar agitado, talvez sentar na primeira fila com vista panorâmica para cada onda que vem na sua direção não seja a melhor escolha.


O que todos esses perrengues acabaram me ensinando


Olhando para trás, percebo que boa parte da forma como viajo hoje nasceu justamente de alguma coisa que deu errado.


Passei a pesquisar melhor os hotéis. Reservar hospedagem com antecedência. Desconfiar um pouco da palavra “imperdível”. Respeitar o clima. Pensar nas malas antes de escolher o carro. Valorizar meus horários, minhas paradas e meu próprio ritmo.


Mas talvez a principal lição seja mais simples:


Nem tudo vai sair como planejado. E tudo bem.


Alguns imprevistos exigem calma. Outros pedem uma mudança de plano. E vários, depois que o susto passa, acabam virando as histórias que você conta por anos.


Minha sobrinha vive dizendo:

— Só acontece com você.

Só que não. Acontece com todo mundo que viaja o suficiente. Talvez a diferença seja que nem todo mundo conta essa parte da viagem.


No fim, jogo de cintura, leveza e uma boa dose de humor ajudam muito. Porque viajar melhor não significa conseguir controlar tudo. Significa saber lidar um pouco melhor com aquilo que você não controla.


Nem todo imprevisto é perrengue


E, felizmente, algumas surpresas saem muito melhor do que o planejado.


Em um voo de Miami para Los Angeles, uma amiga e eu recebemos um upgrade inesperado para a primeira classe. Não pedimos. Não entendemos exatamente por quê. Mas não íamos reclamar!


Sentamos e rapidamente percebemos que não fazíamos a menor ideia de como usar aquelas poltronas.


Começamos a apertar todos os botões. Uma coisa subia. Outra descia. A cadeira se mexia para todos os lados. E nós ríamos cada vez mais.


Eram seis da manhã quando a comissária se aproximou e perguntou:

— Tea or coffee?

Nós respondemos, juntas:

— Champagne.


Viramos a atração da primeira classe. As pessoas olhavam para nós com um sorriso divertido e, com certeza, pensavam: “Elas têm cara de milhas.”



Mas ficou uma ótima lembrança.

Porque nem todo imprevisto é perrengue.

Às vezes, é só a sorte disfarçada de surpresa.


E qual foi o seu maior perrengue de viagem?

Tem alguma história que hoje faz você rir, mas na hora foi um caos?


Conte seu perrengue nos comentários. Vou escolher 5 histórias para transformar em um novo post do Tripnsense, com crédito para quem enviou.


Perguntas frequentes sobre perrengues de viagem


Quais são os perrengues de viagem mais comuns?

Problemas com hospedagem, transporte, bagagens, clima, documentação, atrações que não correspondem às expectativas e mudanças inesperadas de roteiro estão entre os mais comuns. Nem todos podem ser evitados, mas muitos ficam mais fáceis de resolver quando você está preparado.


O que fazer quando algo dá errado durante uma viagem?

Evite tomar decisões no impulso. Primeiro entenda o que aconteceu, o que realmente precisa ser resolvido naquele momento e quais alternativas você tem. Manter a calma e aceitar uma mudança de plano costuma funcionar melhor do que insistir em salvar o roteiro original.


Como se preparar melhor para imprevistos em uma viagem internacional?

Antes de viajar, confira documentos, reservas, localização dos hotéis, regras para dirigir e transportes importantes. Também evite montar um roteiro sem nenhuma margem para mudanças, principalmente quando há atividades que dependem do clima ou de horários.

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