Roteiro pelo País Basco de carro em 7 dias: Biarritz, San Sebastián e Bilbao
Fiz este roteiro de carro em 7 dias, começando e terminando em Bordeaux, onde aluguei e devolvi o veículo. Passei 2 noites em Biarritz, 2 em San Sebastián e 2 em Bilbao; fiz um bate e volta a Bayonne e parei em Saint-Jean-de-Luz a caminho da Espanha. Usei o carro para viajar entre as cidades; nas três bases, fiz os passeios a pé. San Sebastián foi minha base preferida.

Neste artigo
Onde fica o País Basco francês e espanhol?
O País Basco está dos dois lados da fronteira entre França e Espanha. No meu roteiro, visitei Biarritz, Bayonne e Saint-Jean-de-Luz no lado francês, e San Sebastián e Bilbao no lado espanhol. Bordeaux não faz parte do País Basco, mas foi lá que comecei e terminei a viagem, alugando e devolvendo o carro.
O mapa abaixo mostra o circuito, com as três cidades onde fiquei, o bate e volta a Bayonne e a parada em Saint-Jean-de-Luz.
Meu roteiro pelo País Basco de carro
Aluguei o carro em Bordeaux para ligar as bases e fazer paradas pelo caminho. Em Biarritz, San Sebastián e Bilbao, deixei o carro estacionado e fiz os passeios a pé.
Trecho | Distância aproximada | Tempo de direção |
Bordeaux → Biarritz | 199 km | 2 h 20 |
Biarritz → Bayonne → Biarritz | Cerca de 20 km no total | Cerca de 40 min, ida e volta |
Biarritz → Saint-Jean-de-Luz | 18 km | 30 min |
Saint-Jean-de-Luz → San Sebastián | 33 km | 35 min |
San Sebastián → Bilbao | 102 km | 1 h 15 |
Bilbao → Bordeaux | 335 km | 3 h 47 |
Bayonne foi um bate e volta a partir de Biarritz. Saint-Jean-de-Luz foi uma parada na troca de base, antes de seguirmos para San Sebastián.
Na ida à Espanha e na volta à França, atravessamos a fronteira rapidamente e sem problemas.
O trecho de Bilbao a Bordeaux fecha o roteiro e merece uma folga no planejamento: as 3 h 47 de direção não incluem pausas, abastecimento nem a devolução do carro.
Onde ficar no País Basco? As bases que escolhi e o que mudaria
Dormi em Biarritz, San Sebastián e Bilbao. San Sebastián foi minha base favorita; se repetisse a viagem, trocaria Biarritz por Saint-Jean-de-Luz.
Cidade | Como foi | Se eu voltasse |
Biarritz (2 noites) Le Café de Paris | Primeira base, de onde fiz o bate e volta a Bayonne | Voltaria para passear, mas dormiria em Saint-Jean-de-Luz |
San Sebastián (2 noites) Zenit Convento San Martin | Deixei o carro no hotel e explorei a cidade a pé | Ficaria de novo. Foi minha base favorita |
Bilbao (2 noites) Radisson Collection | Última base, antes do retorno a Bordeaux | Dormiria de novo. A caminhada no dia seguinte mudou minha impressão da cidade |
Saint-Jean-de-Luz foi uma parada no caminho para a Espanha. Ainda não a testei como base, mas é onde procuraria um hotel no lado francês numa próxima viagem.
Minha principal dica para escolher hospedagem no País Basco durante um roteiro de carro é verificar o estacionamento.
Em Biarritz, descobri da pior forma que um estacionamento “a 50 metros” podia significar quatro lances de escada, sem elevador, com as malas. O hotel não tinha garagem própria e ficava em uma zona de pedestres, então não dava para parar na porta e descarregar.
Cada uma de nós carregava uma mala grande, uma de mão e uma bolsa. Não preciso nem falar do estado em que chegamos para o check-in.
Se você fizer o roteiro de carro, confira que tipo de estacionamento o hotel oferece.
Na página do Le Café de Paris no Booking aparecia o símbolo “P”, mas só no site do hotel ficou claro que se tratava de um estacionamento público, não de uma garagem própria. Antes de reservar, verifique também onde é possível descarregar as malas.
Antes de reservar, vale conferir os critérios do meu guia para escolher um hotel, especialmente localização, acesso e estacionamento.
Biarritz e Bayonne: a primeira base e o bate e volta
Biarritz: o que vi e por que não voltaria a dormir lá

Biarritz foi vila de pescadores e banhistas antes de virar o balneário da corte. Em 1854, Napoleão III mandou construir a Villa Eugénie, hoje Hôtel du Palais, para a imperatriz Eugénie.
A corte passou a veranear ali, e Biarritz ganhou villas e a arquitetura da Belle Époque que ainda se vê de frente para o mar. O cassino também faz parte da história da cidade, embora sua fachada art déco atual seja posterior
Essa herança continua na paisagem: na Grande Plage, com o cassino de frente para o mar, no Rocher de la Vierge, símbolo da cidade, e na Villa Belza, que admirei por fora.
No Port des Pêcheurs, contei as crampottes, as cabanas coloridas do antigo porto. São 65, não um cenário montado para foto.
Quem quiser ir além do passeio ao ar livre pode considerar o Aquário, sobretudo se estiver com crianças, e a Capela Imperial, ligada à história de Eugénie; para entrar na capela, é preciso conferir os horários de visita
Cerca de um terço da população é de aposentados e tem 65 anos ou mais. A cidade é acolhedora e lenta, com um perfil mais velho do que o de San Sebastián.
O que me fez repensar Biarritz como base não foi a falta de charme. Foi o ritmo. Para dormir e sair todo dia a pé, eu preferiria outra base.
Eu voltaria a passear por Biarritz. Se repetisse o roteiro, procuraria hotel em Saint-Jean-de-Luz e usaria Biarritz como visita, não como base.
Bayonne: o bate e volta que valeu a pena

Saímos de Biarritz de carro e estacionamos em um grande parking na entrada do centro histórico, do lado de fora das muralhas. A partir dali, fizemos tudo a pé.
Passamos pelo Musée Bonnat-Helleu, cujo prédio já chama a atenção pela arquitetura, mas não entramos.
Seguimos sem pressa pelas ruas antigas do Grand Bayonne, caminhamos junto às muralhas e pelo Jardin de la Poterne e entramos na Catedral Sainte-Marie.
Também fomos às margens do rio Nive, com suas fachadas e a sequência de restaurantes mais turísticos. E fugimos correndo!
Bayonne vale muito o bate e volta. Gostei de poder descobrir a cidade a pé, me perdendo pelas ruas medievais, admirando a catedral e as fortificações.
As muralhas têm partes de diferentes épocas: começaram no período romano e foram ampliadas séculos depois. É uma cidade que dá vontade de explorar sem seguir uma lista rígida de atrações.
Saint-Jean-de-Luz: a parada onde eu gostaria de ficar

Paramos em Saint-Jean-de-Luz no caminho entre Biarritz e San Sebastián. Imagine uma cidade compacta, charmosa e sem a pretensão de Biarritz. Há uma praia longa, de águas calmas, que não aproveitamos porque o tempo não ajudou.
Mas caminhar pela Promenade Jacques Thibaud, olhando a baía, já foi motivo suficiente para gostar da parada. As ruas convidam a diminuir o passo, respirar fundo e ficar um pouco mais.
foi uma atração específica que me conquistou, mas a atmosfera da cidade. Fiquei imaginando como seria sair para passar o dia em Biarritz ou Bayonne e voltar para esse ritmo no fim da tarde.
Ainda não testei Saint-Jean-de-Luz como base, mas é onde procuraria um hotel no lado francês se repetisse o roteiro. Desta vez, claro, confirmando se há garagem de fácil acesso para as malas.
San Sebastián: minha base favorita

Chegamos a San Sebastián em meados de 2022. Deixamos o carro no hotel e logo saímos para andar pelo centro. Fazia quase um ano que eu não via tanta gente reunida.
Que alegria e alívio encontrar as ruas cheias, lotadas! A vida finalmente voltava ao normal. Mas o trauma não passa assim tão rápido. Senti também uma ponta de ansiedade: e se alguém estivesse com covid?

O que mais me marcou não foram a praia de La Concha, considerada uma das praias urbanas mais bonitas da Europa, as ruas movimentadas do centro ou os pintxos.
Foi o Paseo de Francia, às margens do rio Urumea. Caminhei pelo largo corredor de tílias, cercado por grandes e imponentes villas de estilo palaciano do início do século XX. Perto dali, as torres monumentais com esculturas douradas da Ponte de María Cristina lembram a Ponte Alexandre III, em Paris.
Que grata surpresa encontrar um passeio tão bonito e tranquilo, longe da concentração de turistas que eu tinha visto no centro. Uma avenida que conta a história do lugar através de sua arquitetura. Então entendi por que San Sebastián me agradou mais como base do que Biarritz.
Bilbao: vale a pena dormir?

Sim, valeu a pena dormir em Bilbao. Mas minha primeira impressão foi ruim. O caminho de carro até o hotel, no centro, me pareceu feio e decepcionante. Depois de San Sebastián, cheguei a pensar que Bilbao seria a parte menos interessante do roteiro.
No dia seguinte, fomos a pé em direção ao Museu Guggenheim. A caminhada mudou minha opinião: descobrimos uma Bilbao mais bonita e moderna do que aquela que tínhamos visto pela janela do carro na chegada.
O museu foi o ponto alto, começando pelo próprio edifício, que já chama a atenção antes de entrar.
Projetado pelo renomado Frank Gehry, o edifício é futurista, com formas orgânicas, curvas complexas e mais de 30 mil placas de titânio. Exigiu o uso de softwares aeroespaciais avançados (CATIA) para calcular a estrutura de pedra, vidro e metal, e o resultado é impressionante.
O átrio interior não fica para trás, iluminado por uma grande claraboia e distribuído por três andares conectados por passarelas curvas, escadas e elevadores de titânio e vidro.
Tem exposições permanentes e temporárias (vale conferir a programação no [site oficial do Guggenheim Bilbao]).
Algumas foram geniais, como a de carros históricos Motion. Autos, Art, Architecture, com 40 automóveis expostos como esculturas. Nada como ver de perto um Bugatti Type 57SC Atlantic (1936), o clássico Ferrari 250 GTO, o futurista Lancia Stratos Zero Concept (1970) e o icônico Ford Model T. Outras exposições nem deixaram lembranças!
Saindo do museu, ande pela promenade às margens do Rio Nervión, até a famosa aranha gigante, Maman, de quase 9 metros.
Bilbao é só o Guggenheim? Sinceramente, não sei, mas gostaria de voltar para descobrir.
Por isso, eu dormiria em Bilbao novamente. Chegar de carro e partir logo depois do Guggenheim teria deixado uma impressão muito diferente da cidade.
Foi dali que seguimos de volta a Bordeaux, fechando o circuito e devolvendo o carro no mesmo lugar onde o alugamos.
De Bilbao a Bordeaux de carro: quanto tempo leva
São cerca de 335 km e 3 h 47 de direção sem paradas. Como eu paro muitas vezes, inclusive para almoçar no caminho, levei mais de 5 horas.
Voltamos pela autoestrada, com pedágios, e cruzamos a fronteira entre Espanha e França sem dificuldade.
Por isso, deixe esse trecho para o último dia, em vez de encaixá-lo depois dos passeios. Devolvemos o carro em Bordeaux, no mesmo lugar onde o retiramos. Confira as regras da locadora para circular entre os países antes de reservar o carro.
Qual é a melhor época para fazer este roteiro pelo País Basco?

Eu escolheria setembro para combinar passeios a pé pelas cidades com a chance de aproveitar as praias.
Fiz a viagem em abril, e o clima variou bastante: senti um pouco de frio no início, e o tempo não ajudou na parada em Saint-Jean-de-Luz.
Já o último dia em San Sebastián e os dias em Bilbao tiveram céu azul e temperatura bem agradável. Abril funcionou para conhecer as cidades; para as praias, eu apostaria em setembro.
Perguntas frequentes
Quantos dias são ideais para este roteiro?
Sete dias foram suficientes para mim, com duas noites em Biarritz, duas em San Sebastián e duas em Bilbao; no último dia, voltei de carro a Bordeaux. Se tivesse mais tempo, gostaria de incluir San Juan de Gaztelugatxe, que ficou fora desta viagem.
Dá para fazer País Basco sem carro?
Dá, mas seria um roteiro diferente. Há trem direto de Bordeaux a Biarritz, em cerca de duas horas, e o trem entre Biarritz e Bayonne leva poucos minutos. Para voltar de Bilbao a Bordeaux, há ônibus direto, em cerca de 4h45. O carro me deu liberdade para fazer o bate e volta a Bayonne, parar em Saint-Jean-de-Luz e fechar o circuito no meu ritmo. Confira horários e conexões para as datas da sua viagem na SNCF Connect. Ou pegue um tour pela GetyourGuide.
Preciso de seguro ou documentação extra para cruzar a fronteira com o carro alugado?
Nós cruzamos da França para a Espanha e voltamos sem dificuldade. Ao reservar, informe à locadora que dirigirá nos dois países e confirme as condições do contrato e a cobertura do veículo. Isso é diferente de seguro viagem pessoal.
Como foi dirigir pelo País Basco?
As estradas estavam boas. Viajei em abril, fora da alta temporada, e não peguei trânsito em nenhum trecho do roteiro. Voltamos pela autoestrada, com pedágios, e o ponto mais difícil foi o estacionamento em Biarritz (conto na seção sobre a cidade).




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