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7 atrações famosas que visitei e não valeram o hype

há 3 horas
10 min de leitura
Pôr do sol em St. Barth com veleiros ancorados no Caribe
St. Barth é linda. A atmosfera foi outra história.

Toda atração turística famosa vale o tempo, a energia ou o espaço no roteiro? Sinceramente, não. Depois de anos viajando, aí vão sete lugares que não corresponderam às minhas expectativas e o que eu escolheria em vez deles. Algumas escolhas são previsíveis. Outras, eu sei, são bem controversas.


Neste post, você vai descobrir por que eu trocaria estas atrações no meu roteiro:



A Varanda da Casa de Julieta em Verona


Pátio da Casa de Julieta diante da famosa varanda em Verona
A varanda é medieval apenas na aparência. Foi acrescentada no século XX e hoje atrai mais selfies do que história.

Uma das atrações mais recomendadas de Verona é a Casa de Julieta. É o tipo de lugar que a cidade empurra e o Instagram confirma. E, claro, lá fui eu.


Reservei o horário pelo celular, cheguei achando que tinha feito a parte inteligente do roteiro e, para meu espanto, a fila estava gigantesca. Uns vinte minutos depois, entrei. Subi para o primeiro andar e encontrei outra fila, agora para a foto na varanda. Já que eu estava ali, por que não?


Não tem vista. Não tem história. Não tem charme. Só um monte de gente esperando sua vez de fazer a mesma foto. A casa é medieval de verdade. A ligação com Julieta, nem tanto. A varanda foi colocada ali nos anos 1930, séculos depois da peça.


Na obra de Shakespeare, a cena acontece junto a uma janela. A varanda veio depois, alimentada pelo teatro e pelo marketing. A foto é rápida, a espera é barulhenta e, no fundo, tudo parece um cenário montado.


Se a peça ainda interessa, eu iria ao Túmulo de Julieta. Fica no antigo convento de San Francesco al Corso, a poucos minutos a pé do centro histórico, onde hoje funciona o Museu dos Afrescos. Um pouco mais longe, sem fila, o antigo convento tem charme. Sarcófago de mármore vermelho, vazio, numa cripta fria. Também é lenda, claro. Julieta não está enterrada ali.


Mas o silêncio, a pedra e a luz ruim combinam mais com o fim da história do que um pátio de selfies. Quase ninguém está lá. É o mesmo mito, só que sem a fila e, pelo menos, num lugar que parece verdadeiro.

Sarcófago conhecido como Túmulo de Julieta em uma cripta de Verona
O túmulo também pertence à lenda, mas o silêncio e a cripta combinam melhor com o fim da história.

Vale a pena a Casa de Julieta em Verona?

Só vale se você fizer questão da foto na varanda. Na minha visita, a reserva online era obrigatória e a espera ficou entre 20 e 30 minutos.


E o Túmulo de Julieta?

Vale se a peça e a lenda ainda te interessam. Fica a cerca de 15 minutos a pé da Arena, sem fila quando fui.


Se a história não desperta seu interesse, pode pular os dois. Verona tem muito mais a oferecer.

A Calçada da Fama em Hollywood

Calçada da Fama em Hollywood, estrelas na Hollywood Boulevard
A ideia tem glamour. A calçada, nem tanto.

Los Angeles te empurra para a Calçada da Fama como se fosse o coração de Hollywood. Mas, depois de ver tantos ícones ganharem uma estrela por lá, eu não poderia perder.


Não tem fila, não tem ingresso, não tem horário. Você desce na Hollywood Boulevard e já está em cima das estrelas. Aí o chão aparece: calçada suja, nomes apagados ou rachados, comércio ambulante que não te larga.


Só gente agachada no meio da rua, celular apontado para uma estrela, enquanto alguém tenta vender mapa, chapéu ou uma foto com personagem fantasiado.


É rápido, barulhento e, no fundo, uma calçada. A ideia tem glamour. A calçada, não.

Se Hollywood ainda interessa, eu trocaria a estrela no chão por um chá no Beverly Wilshire, o hotel de Pretty Woman.


Fica em Beverly Hills, na ponta da Rodeo Drive. Não é set aberto nem museu, mas pelo menos você senta, olha o hall e entra no clima do filme em vez de disputar uma placa no chão.


Vale a pena a Calçada da Fama?

Só vale se a foto ao lado de uma estrela for inegociável. Em poucos minutos eu já tinha visto o suficiente.


E um chá no Beverly Wilshire?

Para quem gosta de cinema e de Pretty Woman, entrega mais clima do que a Hollywood Boulevard. Exige um deslocamento até Beverly Hills e tem o custo de um bar de hotel.


Se Hollywood for apenas um item de checklist, pode pular os dois. Los Angeles tem o resto.

A Flåmsbana na região dos fiordes da Noruega


Cachoeira nos fiordes da Noruega
Os fiordes noruegueses valem o hype, a forma de vê-los é que pode não valer

Os fiordes da Noruega não me decepcionaram. A experiência da Flåmsbana, vendida como um dos grandes passeios panorâmicos da região, sim.


Peguei um daqueles trens famosos, caros e lotados, imaginando que passaria o trajeto inteiro grudada na janela. Para completar a experiência norueguesa, chovia torrencialmente. O vagão estava cheio, com muitos turistas japoneses, todos preparados com suas câmeras. Eu, sem saber se o embaçado era a janela ou a neblina lá fora.


Nas primeiras paisagens, foi aquela movimentação. Todo mundo fotografando, apontando para a janela e disputando o melhor ângulo. Na curva seguinte, um pouco menos. Uns vinte minutos depois, muita gente já estava dormindo. Inclusive alguns dos fotógrafos mais animados do início.


A paisagem é bonita, claro. Mas, vista pela janela de um trem cheio e debaixo de chuva, começou a parecer sempre igual. Montanha, água, cachoeira, túnel. Repete. Não achei que a experiência justificasse o preço nem toda a fama.


O problema não são os fiordes. Eles precisam ser vistos. Só não sei se um trem turístico caro e lotado é a melhor escolha para quem quer conhecê-los. A Flåmsbana atravessa o vale entre Myrdal e Flåm. É um passeio de trem pela região, não exatamente um passeio pelos fiordes.


Se voltasse, escolheria um catamarã pelo Nærøyfjord, entre Flåm e Gudvangen. Do barco, você atravessa o fiorde entre as montanhas, em vez de tentar enxergar a paisagem pela janela e entre as cabeças dos outros passageiros.


Não fiz esse passeio, então não posso garantir que seja perfeito. Mas, para ver um fiorde, estar sobre a água me parece uma ideia bem melhor do que estar dentro de um vagão.


A Flåmsbana vale a pena?

Vale para quem gosta especialmente de viagens de trem.Trem famoso, caro e bastante procurado. Na minha viagem, estava lotado e a chuva prejudicou ainda mais a vista.  Se o objetivo principal for conhecer os fiordes, eu escolheria outra opção.


Catamarã pelo Nærøyfjord?

Seria a minha escolha numa próxima viagem, mas ainda não fiz o passeio. O trajeto é feito pela água, entre Flåm e Gudvangen.

Os fiordes valem o hype. A Flåmsbana, para mim, não.

London Eye: uma volta que dura mais do que a surpresa


Big Ben e London Eye vistos de Westminster, Londres
A London Eye vista de Westminster. Para mim, mais bonita como parte da paisagem de Londres.

A London Eye é linda. Vista de fora.


É difícil passar por Londres, olhar aquela roda-gigante à beira do Tâmisa e não querer subir. E lá fui eu, imaginando uma vista espetacular da cidade durante todo o passeio.


Nos primeiros minutos, funciona. Você procura o Big Ben, acompanha o rio, tira fotos e tenta reconhecer os prédios. A cabine sobe lentamente e Londres vai se abrindo lá embaixo. É bonito. Só que, depois de cinco minutos, eu já tinha visto tudo o que queria ver.

A roda, porém, ainda tinha outros 25.


Você continua olhando para os mesmos prédios. Muda um pouco o ângulo, mas a paisagem é praticamente a mesma. É uma atração que entrega seu grande momento rapidamente, mas obriga você a completar a volta inteira.


Eu trocaria pela vista do Sky Garden. A entrada é gratuita, com reserva antecipada, e você pode observar Londres sem ficar presa numa cabine esperando a roda terminar o serviço. Há ainda jardim, espaço para caminhar e lugares para sentar. A experiência parece menos uma atração turística e mais um lugar de Londres onde, por acaso, existe uma ótima vista.

Vista de Londres e da Tower Bridge a partir do Sky Garden
Sky Garden: vista de Londres sem fila e sem cabine contando o tempo

Vale a pena a London Eye?

Vale se subir na famosa roda-gigante fizer parte do seu sonho de Londres. A volta completa dura cerca de 30 minutos. Para mim, a vista impressionou durante cinco.


E o Sky Garden?

A entrada é gratuita, mas a reserva antecipada é recomendada. Entrega uma bela vista da cidade, com mais espaço e sem uma cabine decidindo quanto tempo você precisa continuar admirando.


A London Eye é um símbolo de Londres. Só prefiro admirá-la do lado de fora.

O Apartheid Museum em Joanesburgo



Este vai gerar discussão.


A história do apartheid e, especialmente, a trajetória de Nelson Mandela sempre me fascinaram. Joanesburgo nem era o destino principal da viagem. Era apenas uma escala a caminho da Cidade do Cabo, mas decidi parar na cidade justamente para visitar o Apartheid Museum e conhecer essa história mais a fundo.


Talvez esse tenha sido o problema: cheguei sabendo bastante e esperando sair de lá sabendo muito mais.


O tema é enorme, doloroso e cheio de camadas. O museu, para mim, não conseguiu transformar tudo isso numa narrativa realmente envolvente. Saí com a sensação de ter recebido uma introdução bem organizada sobre uma história que eu já conhecia.


Faltou profundidade. Faltou emoção. Faltou aquele momento em que você para de apenas ler e começa a sentir o peso do que aconteceu.


Talvez minha expectativa fosse alta demais. Eu tinha transformado uma simples escala em Joanesburgo numa parada justamente por causa do museu.


Robben Island, na Cidade do Cabo, me atingiu de outra forma. Nelson Mandela passou ali 18 dos seus 27 anos de prisão. Ver a ilha, atravessar o mar e entrar no lugar onde ele realmente esteve tornou a história mais concreta para mim.


E sim, também há quem considere Robben Island uma furada. Algumas pessoas acham o passeio corrido, turístico e superficial. Dependendo do guia, do grupo e até das condições do mar, a experiência pode mudar bastante. Eu entendo a crítica. Para mim, porém, estar naquele espaço entregou a dimensão humana que faltou no museu.


Vale a pena o Apartheid Museum?

Vale para quem está tendo um primeiro contato com a história do apartheid. Para quem já leu bastante sobre o assunto, o conteúdo pode parecer mais introdutório do que revelador.


E Robben Island?

O passeio ocupa boa parte do dia e também divide opiniões. Para mim, a ilha teve mais força do que o museu.


O Apartheid Museum explicou uma história que eu já conhecia. Robben Island me fez senti-la.

St. Barth: linda e plenamente consciente disso


St. Barth é linda. E sabe muito bem que é.


As praias são maravilhosas, o mar tem aquela cor difícil de criticar e tudo parece cuidadosamente preparado para lembrar que você está num dos lugares mais exclusivos do Caribe. O problema, para mim, não foi a paisagem. Foi o ambiente.


Encontrei uma ilha sofisticada, rica e muito preocupada em demonstrar as duas coisas. Vi pessoas chegarem ao centro de lancha, desembarcarem e deixarem a tripulação esperando mais afastada do cais. Até aí, tudo bem. Faz parte da logística daquele mundo.


O que me incomodou foi a maneira como algumas delas falavam com quem trabalhava ali. O tom, os gestos, a naturalidade com que tratavam a tripulação como se ela fizesse parte do barco. Luxo perde boa parte do charme quando depende de tratar mal quem torna tudo aquilo possível.


Pode ter sido azar. Mas viagem também é feita da atmosfera que encontramos, e a de St. Barth me pareceu metida, distante e pouco acolhedora.


Eu trocaria facilmente por St. Maarten. É menos exclusiva, menos sofisticada e certamente menos interessada em impressionar. Em compensação, achei muito mais alegre, simples e acolhedora. As praias continuam lindas, mas ninguém parece esperar que você agradeça pela oportunidade de estar ali.


Praia em St. Maarten com veleiros ao fundo, Caribe
St. Maarten tem praias lindas, menos pose e uma atmosfera muito mais acolhedora.

Vale a pena conhecer St. Barth?

Vale para quem procura praias bonitas, restaurantes sofisticados e aquele ambiente em que até a informalidade parece ter sido cuidadosamente produzida. Para mim, a beleza não compensou a atmosfera.


E St. Maarten?

Tem menos pose e mais vida. Pode não entregar o mesmo verniz de exclusividade, mas entrega algo que valorizo muito mais quando viajo: vontade de ficar.


St. Barth impressionou. St. Maarten me conquistou.

O Louvre: obras-primas, filas e uma Mona Lisa quase invisível


Longa fila de visitantes diante da Pirâmide do Louvre em Paris
Antes das obras-primas, a primeira grande atração do Louvre: a fila.

Eu tenho uma preferência assumida por museus menores. Gosto de entrar, olhar com calma e sair antes de começar a procurar a saída com mais interesse do que as obras.


O Louvre não facilita nada disso.


O museu é gigantesco, as filas do lado de fora parecem intermináveis e, lá dentro, a multidão é curiosamente seletiva. Você atravessa salas relativamente tranquilas até se aproximar da Mona Lisa. De repente, todos os visitantes de Paris parecem estar no mesmo lugar.


Depois de disputar espaço com braços levantados e celulares, você finalmente enxerga o quadro. Ou parte dele. De longe. Entre duas cabeças.


É claro que o Louvre tem uma coleção extraordinária. O problema é que o tamanho e a quantidade de gente podem transformar a visita numa maratona cultural. Depois de algumas horas, até uma obra-prima começa a parecer mais uma sala antes do café.


Se for sua primeira vez em Paris, não posso dizer para não ir. Vá. Mas entre com uma lista do que realmente quer ver. O Louvre não é o tipo de museu para percorrer sem rumo, a menos que você seja rato de museu e queira passar cinco horas lá dentro. E tudo bem se quiser.


Como prefiro os impressionistas, escolheria o Musée d’Orsay. É mais fácil de percorrer, a coleção conversa muito mais com o meu gosto e a visita não exige um plano de evacuação. O Musée de l’Orangerie também é uma ótima alternativa, especialmente para quem quer ver Monet com espaço para respirar.


Vale a pena visitar o Louvre?

Na primeira viagem a Paris, sim. Mas escolha antes as alas e obras que deseja conhecer. Tentar ver tudo é a maneira mais rápida de não aproveitar quase nada.


E o Musée d’Orsay?

Para quem gosta de impressionismo, entrega uma visita muito mais prazerosa e fácil de percorrer.


O Louvre impressiona por tudo o que reúne. O Musée d’Orsay me dá vontade de voltar.

No fim, esta lista não é um manifesto contra lugares famosos. É só o meu diário de viagem contando onde o hype falou mais alto do que a experiência. Alguns desses lugares são lindos. Outros, importantes. Só não corresponderam ao que eu esperava, ou fizeram isso de um jeito que não funcionou para mim.


E você? Qual atração famosa te decepcionou de verdade?

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